Cracolândia e as narcossalas
By bruna on fev 2, 2012 in Clan | 0 Comments
Temos aí um post um pouco grande, mas vale a pena entender o que, pra que e pra quem servem as narcossalas, e os benefícios da implantação.
Não são raras as citações “drogado filho da mãe, tem que levar borracha mesmo”. E dá-lhe borrachada. Parece que esse povo gosta de apanhar, acordar com uma puta dor de cabeça, sedento por uma nova dose (ou trago, picada, cheirada etc.). Mas você já parou para analisar que, talvez, os caras nem gostem dessa vida? E mais: Provavelmente eles a odeiam.
Em São Paulo, o Kassab resolveu exterminar as Cracolândias. Os antigos centros de comércio e consumo de drogas ficou um tempo como uma caricatura de quartel militar, com um caráter policialesco e autoritário. Sob a alegação de que os prédios corriam risco de desmoronar, quase todo o quarteirão foi demolido. Prisão de mais de 200 acusados e quase 100 mil reais resultante do tráfico.Os usuários foram curados e agora frequentam igrejas? Não. Eles continuam na ativa, só mudaram de endereço. A droga agora é encontrada em bairros vizinhos, enlouquecendo a classe média/alta, apavorando os papais e as madames. A tática da ocupação militar na cracolância parece não ser tão eficiente assim. Aliás, que burrice achar que um vício de anos vai ser curado na porrada. E tem mais: A reurbanização proposta pela prefeitura esquece da saúde pública e trata como lixo aquelas pessoas que simplesmente não têm mais motivo algum para viver.
Um exemplo simples, e que pode até parecer meio tosco: O vício da comida mata, prejudica financeira, física e psicologicamente, além de influenciar familiares e amigos próximos. Mas ninguém enche o gordo de porrada pra ele parar de comer porcaria. Existem lugares específicos para tratamento, é sugerido atividades paralelas e terapia em grupo, os médicos estão sempre presentes, não é aplicado nenhum tipo de tortura ou abstinência.
Para um viciado só existem clínicas macabras e de tortura psicológica, cadeia e…porrada.
Eles estão em todo lugar. Vício todo mundo tem, e esses são apenas alguns que apresentam sintomas mais evidentes. O maior problema é quando, além da grande quantidade de usuários de droga, o governo federal não sabe – ou não quer – lidar com a situação.
Na Europa a droga imperava. E nunca foi uma maconhazinha, e sim heroína, morfina, codeína e por aí vai. Jovens de 13 a 35 anos tinha overdoses em banheiros públicos e metrôs e andavam pelas ruas com seringas penduradas no braço. Uma solução prática resolveu o problema de maneira eficaz e ainda reduziu pela metade o número de consumidores e doenças transmitidas pelo uso da droga. As narcossalas não incrementaram o consumo de substâncias ilícitas entre os toxicodependentes. Elas contribuíram, significativamente, para reduzir o número de mortes pelo uso e abuso de drogas. Nelas, o viciado conta com o apoio de assistentes sociais e médicos. Esses profissionais aconselham e ajudam o usuário a deixar as drogas. Também ensinam, para os que não querem parar de consumir, como melhor administrar a dependência.
Como regra, o usuário recebe dose preestabelecida e seringas, sempre novas e esterilizadas. Um médico acompanha a ingestão e interfere apenas nas emergências.
Fora da narcossala, o dependente, caso queira, tem todo apoio para se informar sobre o uso, o abuso e as consequências referentes ao consumo. À disposição, o toxicodependente conta com programas para tratamento.
A implantação de salas seguras para consumo de drogas proibidas conta com a recomendação do Observatório Europeu sobre Drogas e Toxicodependência, e hoje, na Europa, funcionam 80 narcossalas. Fora da Europa existem apenas cinco salas seguras.
A meta principal da política de redução de danos por meio de narcossalas é a de limitar, com as distribuições de seringas e de drogas não contaminadas ou impuras, as overdoses e as transmissões de doenças infecto-contagiosas, como, por exemplo, a Aids e a hepatite C.
Dois dados negativos existem, mas não anulam os ótimos resultados alcançados pelas narcossalas: Há a comodidade de se usufruir de uma sala e de “doses limpas”, o que pode retardar a opção pelo tratamento. O segundo, já constatado, é a presença de traficantes nas imediações e sempre prontos a vender uma nova dose, para uso posterior.
E aí caros governantes, precisa falar mais alguma coisa? Basta investir agora, sem demora, por um país livre e consciente.
Informações retiradas do site http://maierovitch.blog.terra.com.br


